Terror do crime organizado no Ceará

Terror do crime organizado no Ceará. O Estado do Ceará vive desde o início de janeiro uma onda de ataques das facções criminosas. Nestas duas semanas, foram mais de 200 ações que atingiram quase 50 municípios do Estado.

Instalou-se, em especial na periferia de Fortaleza, um clima de terror. Não por acaso, o grosso dos atingidos e prejudicados pela situação são os trabalhadores e suas famílias. É nos bairros populares que se multiplicam os atentados com armas de fogo e a bomba. É nesses bairros que os serviços públicos, escolas, postos de saúde, transportes são interrompidos. É na periferia que as facções impõem toque de recolher, interditando a liberdade de ir e vir e prejudicando o pequeno comércio.

De fato, o povo trabalhador se sente encurralado no meio de um fogo cruzado, pois, se as facções exercem forte opressão sobre as comunidades, a repressão policial, de seu lado, se abate indiscriminadamente sobre os moradores dos bairros mais pobres, em especial sobre a juventude. Exemplo disso ocorreu com um jovem petista, membro do DAP, que foi abordado com violência pela polícia enquanto pintava o muro da casa de sua mãe num bairro periférico. Este mesmo jovem teve uma festa interrompida pela chegada da polícia, sob acusação completamente infundada de ser uma comemoração do tráfico.

O povo na verdade não sabe a quem recorrer!

Os acontecimentos foram desencadeados supostamente por uma declaração do titular da recém-criada Secretaria de Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque, na sua posse, que, ao lado da afirmação correta de que o Estado não reconheceria os grupos criminosos, dava conta de que os presos de distintas facções seriam misturados nas mesmas celas. A declaração se enquadrava na linha adotada pelo atual secretário de segurança, André Costa, que esvaziou a investigação e a inteligência em favor de uma política de espetacularização da ação policial, jogando para a imprensa e sendo na prática ineficaz no combate às facções. Um exemplo recente foi o do confronto ocorrido na cidade de Milagres onde a polícia foi incapaz de identificar a presença de reféns num caso de assalto a banco, e que resultou na morte de toda uma família, até aqui, não se sabe se por balas da polícia ou dos assaltantes.

Moro e Bolsonaro na crise

Bolsonaro viu na crise cearense uma oportunidade para faturar, com uma série de ataques ao PT que tem o atual governador. Ao pedido de auxílio do Governador Camilo Santana (PT), Moro respondeu tentando impor a intervenção militar no estado. Depois, chantageou o governo estadual com o envio de reforços a conta-gotas, o que só não foi pior graças ao apoio de governos como o da Bahia.

O PT estadual segue calado diante da crise, salvo declaração do deputado José Guimarães que levantou a voz contra Bolsonaro no momento em que este atacava o governo estadual. Mas este silêncio acabou deixando espaço para que Camilo cedesse a Bolsonaro e, nos últimos dias, desse uma série de declarações elogiosas a Bolsonaro e de denúncia da incúria dos últimos governos, em bom português, dos governos Lula e Dilma. “Eu não estou criticando o governo atual não. Muito pelo contrário. Governo tem dado todo o apoio. Eu estou criticando todos os governos que passaram, inclusive do meu partido, que foram omissos nesta área da segurança pública”, disse o governador à imprensa.

O DAP Ceará considera que, se é necessário apoiar o governador diante das facções e de Bolsonaro, é inaceitável a capitulação de Camilo (parte de um longo rosário de discursos contra o partido, que passou pelo apoio a Ciro Gomes nas eleições) ao presidente. Na prática a fala de Camilo se junta ao coro da extrema-direita de denúncia dos governos de encabeçados pelo PT. O que é necessário, ao lado do enérgico combate às facções, elas mesmas inimigas do povo trabalhador, é uma política que promova o bem estar da população, que de fato a proteja, com educação, saúde, emprego, do assédio das facções sobre a juventude, o que passa não pelo elogio a Bolsonaro, mas pela resistência a suas políticas destrutivas dos direitos.

N.T.C

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